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O Congresso Ganepão encara, dentro da sua proposta educacional, a disseminação de conhecimento como ação fundamental para o cumprimento de sua missão. Neste espaço, acompanhe conteúdo relevante baseado em evidência científica da área de Nutrição em todas as suas vertentes.

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Mindfulness como abordagem terapêutica em obesidade

11 de julho de 2019

Tags: mindfulness obesidade

Mindfulness como abordagem terapêutica em obesidade




Artigo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism aponta a eficácia clínica de estratégias de comportamento alimentar baseadas em mindfulness (atenção plena) como parte de sessões de grupo em serviço de tratamento de obesidade grau 3.

Os pesquisadores recrutaram 33 pacientes frequentadores de um serviço de tratamento de obesidade grau 3. Cada participante participou de 4 sessões em grupo, onde estratégias de comportamento alimentar baseadas em mindfulness foram ensinadas. A diferença de peso também foi avaliada, retrospectivamente, em um grupo controle de 33 pacientes que não compareceram às sessões do grupo, mas receberam atendimento multidisciplinar padrão.

Houve melhoras estatisticamente significativas no comportamento alimentar auto-relatado e redução no peso corporal aos 6 meses após a conclusão das sessões do grupo mindfulness em relação ao grupo controle, associada a melhora da autoestima e confiança no autogerenciamento do peso corporal.

“A aplicação de estratégias de comportamento alimentar baseadas em mindfulness resultou em melhora significativa no comportamento alimentar e facilitou a perda de peso ao longo de 6 meses. Esta estratégia tem potencial para ser mais usada em população obesa mais ampla”, concluem os autores.

 

Referências

Hanson P, Shuttlewood E, Halder L, et al. Application of Mindfulness in a Tier 3 Obesity Service Improves Eating Behavior and Facilitates Successful Weight Loss. J Clin Endocrinol Metab. 2019; 104(3):793-800.

 

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Jejum intermitente pode ser mais efetivo quando associado à restrição calórica

02 de maio de 2019

Tags: jejum intermitente restrição calórica sobrepeso perda de peso

Jejum intermitente pode ser mais efetivo quando associado à restrição calórica




Em estudo randomizado de oito semanas, coorte de 90 mulheres de meia-idade ou mais velhas com sobrepeso ou obesidade foram aleatoriamente distribuídas para quatro estratégias diferentes:

(1) Jejum intermitente associado à restrição calórica (70% da necessidade energética);

(2) Jejum intermitente sem restrição calórica (100% da necessidade energética);

(3) Restrição contínua a 70% das necessidades energéticas;

(4) Controle, 100% das necessidades energéticas.

Os resultados demonstraram que as mulheres com sobrepeso que fizeram dieta hipocalórica associado a três dias de jejum por semana (grupo 1) perderam mais peso e tiveram melhores marcadores cardiometabólicos do que as que apenas reduziram a ingestão calórica ou fizeram somente jejum ou não fizeram nenhum dos dois.

Os resultados demonstram, ainda, que as outras mulheres do estudo, que fizeram jejum intermitente sem reduzir a ingestão de alimentos; que reduziram a ingestão de alimentos sem fazer jejum, ou que não seguiram nenhuma dieta, não foram tão bem-sucedidas em termos de perda ponderal.

As mulheres do grupo do jejum intermitente com redução calórica tiveram maior redução do peso, da massa de gordura, dos níveis de colesterol total e da lipoproteína de baixa densidade e dos ácidos graxos não esterificados em comparação às mulheres do grupo de redução calórica isolada ou jejum intermitente isolado.

Este estudo agrega evidências de que o jejum intermitente, pelo menos em curto prazo, pode proporcionar melhores resultados para a saúde do que a restrição alimentar contínua e, potencialmente, para a perda ponderal.

No entanto, é importante salientar que este foi um estudo pequeno com baixo poder estatístico. Dessa forma, é necessário admitir que os resultados não possam ser generalizados para uma intervenção prolongada ou para outras populações, e que novos estudos são necessários para endossar estes resultados.

Embora o estudo confirme que o jejum intermitente é mais eficaz do que uma dieta restritiva continuada, o estímulo determinante para limitar o apetite das pessoas, que poderia ser a chave da promoção de uma perda ponderal eficaz, exige uma investigação mais aprofundada.

 

Referências

Hutchison AT, Liu B1, Wood RE, et al. Effects of Intermittent Versus Continuous Energy Intakes on Insulin Sensitivity and Metabolic Risk in Women with Overweight. Obesity (Silver Spring). 2019; 27(1):50-58.

 

Falando em dieta e perda de peso, a temática também está presente no Ganepão 2019! Realizaremos a conferência

“Análise Crítica das Dietas da Moda no Tratamento da Obesidade”.

 

Data: 14 de Junho de 2019 | Horário: 14h às 14h30 | Local: Auditório Amarelo

 

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Níveis séricos de magnésio influenciam o metabolismo da vitamina D

06 de fevereiro de 2019

Tags: metabolismo vitamina d magnésio

Níveis séricos de magnésio influenciam o metabolismo da vitamina D




Estudo publicado em dezembro no American Journal of Clinical Nutrition revelou que baixos níveis séricos de magnésio estão associados a níveis também baixos de vitamina D.

Sabia-se anteriormente que enzimas que sintetizam e metabolizam a vitamina D são dependentes do magnésio e que mesmo com ingestão de alta dose de vitamina D podia não acontecer o seu aumento sérico.

O estudo confirma observações anteriores , mas revela  algo novo: 

  • O magnésio tem efeito regulador em pessoas com altos níveis de vitamina D, portanto pode otimizar as taxas séricas de  vitamina D e auxiliar na prevenção de condições relacionadas aos déficits  de vitamina D.

De forma duplo-cego, randomizado e controlado o estudo envolveu 250 pessoas consideradas em risco de desenvolver câncer colorretal por fatores de risco ou por ter pólipo pré-cancerígeno removido.

Doses de magnésio e placebo foram personalizadas com base na ingestão dietética de base e foram avaliadas, no plasma, as alterações de diferentes níveis de expressão da vitamina D.

A suplementação de magnésio aumentou a concentração de 25 (OH) D3 quando suas concentrações iniciais estiveram próximas a 30 ng / mL, mas diminuíram quando o nível plasmático dessa vitamina foi maior (de 30 a 50 ng / mL).

O tratamento com magnésio afetou significativamente a concentração de 24,25 (OH) 2D3 quando a concentração de 25 (OH) D no início do estudo foi de 50 ng / mL, mas não de 30 ng / mL.

Segundo os autores "A insuficiência de vitamina D tem sido reconhecida como potencial problema de saúde em grande escala nos EUA".

"Muitas pessoas recebem orientação médica para suplementação de vitamina D com base nos resultados dessa vitamina no sangue. Entretanto, além da vitamina D, a deficiência de magnésio é um problema sub-reconhecido. Até 80% as pessoas não consomem magnésio suficiente em um dia para atender a recomendação dietética recomendada (RDA) com base nessas estimativas nacionais", explicam.

Os pesquisadores salientaram, ainda, que os níveis de magnésio no estudo estavam de acordo com as diretrizes da RDA, e recomendaram mudanças na dieta como o melhor método para aumentar a ingestão desse mineral. Alimentos com altos níveis de magnésio incluem verduras de folhas escuras, feijão, grãos integrais, chocolate amargo, peixes gordurosos, nozes e abacate.

 

Referência

Dai Q, Zhu X, Manson JE, et al. Magnesium status and supplementation influence vitamin D status and metabolism: results from a randomized trial. Am J Clin Nutr. 2018; 108(6):1249-1258.

 

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Aleitamento materno direto vs administração de leite materno na mamadeira

07 de janeiro de 2019

Tags: leite materno mamadeira aleitamento materno

Aleitamento materno direto vs administração de leite materno na mamadeira




Bebês alimentados com leite materno na mamadeira ganham peso mais rapidamente do que os que mamam no peito, mas não tanto peso quanto os bebês alimentados exclusivamente com fórmula láctea (FL) ou que recebem suplementação com FL, por longo prazo. Esta é a conclusão de um novo estudo canadense publicado no periódico Pediatrics.

Pesquisas anteriores já sugeriram que a alimentação com FL está associada a maior ganho de peso entre os lactentes do que o aleitamento materno. Mas existe pouca informação de como práticas específicas de alimentação infantil, como suplementação com FL para bebês durante a fase de aleitamento materno ou a alimentação com leite materno na mamadeira possam modificar o ganho de peso. O novo estudo, que acompanhou 255 mães e seus bebês, revelou que o modo como os lactentes recebem o leite materno faz diferença.

O aleitamento materno exclusivo aos três meses foi associado a ganho de peso mais lento e IMC mais baixo em crianças de um ano do que outros esquemas. A suplementação com FL durante pouco tempo após o nascimento ou a introdução de comida sólida antes dos seis meses não reduziu esses benefícios. No entanto, a suplementação com FL mais tarde foi associada a ganho de peso mais rápido e IMC mais alto, acrescentando 0,28 ao escore z médio do IMC e a alimentação exclusiva com FL mais tarde levou a ganhos ainda maiores (0,45 escore z do IMC). Crianças que tomaram leite materno na mamadeira também apresentaram um discreto aumento do ganho de peso (0,12 escore z do IMC).

Os autores sugerem que o aleitamento direto no peito está associado a menor ganho de peso do que o leite materno na mamadeira, porque a quantidade de leite é determinada pelo bebê.

As crianças na coorte continuarão a ser acompanhadas durante a adolescência, deste modo os pesquisadores poderão avaliar se as práticas alimentares durante o aleitamento terão efeitos no peso em longo prazo.

 

Referência

Azad MB, Vehling L, Chan D, Klopp A, Nickel NC, McGavock JM, et al. Infant Feeding and Weight Gain: Separating Breast Milk From Breastfeeding and Formula From Food. Pediatrics. 2018 Oct;142(4).

 

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Indicadores Prognósticos no tratamento da Cirrose Hepática

10 de dezembro de 2018

Tags: cirrose hepática gasto energético de repouso (ger) quociente respiratório (qr) calorimetria indireta (ci)

Indicadores Prognósticos no tratamento da Cirrose Hepática




O gasto energético de repouso (GER) e o quociente respiratório (QR) medidos pela calorimetria indireta (CI) podem se correlacionar com massa muscular e representar indicadores prognósticos no tratamento de pacientes com cirrose hepática.

Estudo, recentemente publicado, avaliou a correlação do gasto energético e QR medidos por CI com massa muscular, mortalidade e valores de gasto energético estimados pelas equações Harris-Benedict, Diretrizes ESPEN e DITEN em pacientes com cirrose hepática.

Neste estudo prospectivo, o gasto energético foi medido em 126 pacientes, do sexo masculino com cirrose hepática, por CI e predito por Harris-Benedict, Diretriz ESPEN (35 kcal / kg de peso atual) e Diretriz DITEN (30 kcal / kg de peso atual). As medidas foram obtidas no momento da admissão no estudo. A composição corporal foi determinada por DXA. A associação entre gasto energético e sobrevida em 3 anos foi investigada.

A etiologia da cirrose foi classificada como origem alcoólica (59,0%), viral (20,1%), criptogênica (11,8%) ou outra (9,0%). Os índices médios Child-Pugh e MELD foram 8,30 ± 2,0 e 14,38 ± 6,12, respectivamente.

O QR mostrou uma correlação moderada com massa muscular (r = 0,64), enquanto o gasto energético medido pela calorimetria foi inversamente associado à mortalidade (regressão de Cox multivariada, HR = 0,88, 95% CI: 0,78; 1, p = 0,04).

Entre as equações preditivas para gasto energético, apenas Harris-Benedict apresentou valores próximos aos valores da calorimetria, com correlação positiva de Pearson (r = 0,77), excelente acurácia (Cb = 0,98) e correlação positiva de concordância de Lin (CCC = 0,75). No entanto, um grande desvio padrão foi observado e o gasto energético estimado Harris-Benedict não se correlacionou com a mortalidade.

Os autores concluem que QR e gasto energético, medidos por calorimetria, podem ser ferramentas valiosas para avaliar a gravidade da cirrose, refletindo a massa muscular e ainda com valor prognóstico para mortalidade, respectivamente. As equações preditivas para GER incluídas neste estudo não podem substituir as medidas obtidas por calorimetria indireta para esse propósito.

 

Referência

Belarmino G, Singer P, Gonzalez MC, Machado NM, Cardinelli CS, Barcelos S, Andraus W, D'Albuquerque LAC, Damiani L, Costa AC, Pereira RMR, Heymsfield SB, Sala P, Torrinhas RSM, Waitzberg DL. Prognostic value of energy expenditure and respiratory quotient measuring in patients with liver cirrhosis. Clin Nutr. 2018 Jul 6. pii: S0261-5614(18)31202-0.

 

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Amamentação, Sobrepeso e Diabetes

20 de novembro de 2018

Tags: amamentação gravidez sobrepeso pré-gestacional diabetes gestacional

Amamentação, Sobrepeso e Diabetes




Existe associação entre sobrepeso pré-gestacional e diabetes gestacional com o início tardio da amamentação. No entanto, a presença de ambas as condições simultaneamente tem sido pouco explorada.

Estudo publicado, na revista PlosOne , investigou a interação entre excesso de peso/obesidade  materna e diabetes gestacional sobre o tempo de início da amamentação usando dados do estudo IVAPSA Birth Cohort, com acompanhamento prospectivo de mães e seus recém-nascidos. Dois dos cinco grupos da IVAPSA foram avaliados, considerando mulheres com e sem diabetes gestacional. Essas mulheres foram categorizadas de acordo com o índice de massa corporal pré-gestacional como peso normal ou sobrepeso/obesidade.

Os pesquisadores avaliaram 219 mulheres, 53,4% delas com sobrepeso / obesidade pré-gravidez e 32% com diabetes gestacional. A maioria das mulheres conseguiu iniciar a amamentação em até 12 horas após o parto (92,7%) e apenas oito (3,7%) mulheres não amamentaram nas primeiras 24 horas após o parto. Destas, sete apresentaram sobrepeso / obesidade (77,8%) e cinco diabetes gestacional (66,7%), sendo que quatro delas com sobrepeso / obesidade e diabetes gestacional concomitantemente. Mulheres com ambas as condições adversas tiveram um risco relativo ajustado de início tardio da amamentação de 1.072 (95% IC 1.006; 1.141), p = 0,032.

Os autores concluem que há uma interação aditiva entre sobrepeso / obesidade materna pré-gestacional e diabetes gestacional com o retardo da amamentação.

 

Referência

Pinheiro TV, Goldani MZ, IVAPSA group. Maternal pre-pregnancy overweight/obesity and gestational diabetes interaction on delayed breastfeeding initiation. PLoS ONE; 2018: 13(6): e0194879.

 

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Jejum intermitente vs restrição calórica em pacientes com diabetes tipo 2

22 de outubro de 2018

Tags: jejum intermitente restrição calórica diabetes tipo 2 dieta hipocalórica contínua

Jejum intermitente vs restrição calórica em pacientes com diabetes tipo 2




Estudo recentemente publicado no periódico JAMA Network Open sugere que pacientes com diabetes tipo 2 bem compensado e excesso de peso tiveram redução semelhante nos níveis de hemoglobina glicosilada (HbA1c) quando tratados, por 12 meses, com jejum intermitente (2 dias por semana de jejum e 5 dias por semana de alimentação normal) em comparação com uma dieta de baixas calorias contínua.

Pesquisadores da University of South Australia recrutaram 137 adultos (56% mulheres) com diabetes tipo 2 e índice de massa corporal (IMC) ≥ 27 kg/m², sem outras comorbidades. Os participantes tiveram média de idade de 61 anos e níveis médios de HbA1c de 7,3%.

Os doentes foram aleatoriamente designados para uma dieta hipocalórica contínua ou de jejum intermitente. Todos os pacientes fizeram uma consulta com nutricionista e receberam um livreto específico sobre a sua dieta com conselhos acerca do tamanho das porções de alimentos e dicas de receitas. Eles também receberam uma balança digital de cozinha.

Os participantes do grupo de restrição calórica contínua foram instruídos a ingerir entre 1.200 e 1.500 kcal/dia (30% de proteínas, 45% de carboidratos e 25% de gorduras), totalizando 10.300 kcal por semana. Os do grupo do jejum intermitente foram instruídos a ingerir 500 a 600 kcal/dia (contendo no mínimo 50 g de proteína) em dois dias (consecutivos ou não) da semana e consumir a alimentação habitual nos outros cinco dias, totalizando 11.500 kcal por semana.

Os participantes agendaram consultas com o nutricionista a cada 2 semanas durante 3 meses e, a seguir, consultas a cada 2 a 3 meses, durante 9 meses. Nessas consultas, o nutricionista revisou os registros de controle da glicemia, do peso e da alimentação para avaliar a adesão à dieta. Os medicamentos dos pacientes foram modificados pelo nutricionista, pelo endocrinologista e pelo médico, todos investigadores do estudo.

No início do estudo, a maioria dos pacientes fez uso de metformina (65%), seguida por uma sulfonilureia (22%), insulina (20%) ou inibidor da dipeptidil peptidase 4 (15%). Poucos utilizaram algum inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (6%) ou agonistas do peptídeo do tipo glucagon 1, GLP-1 (4%).

O novo protocolo de controle de medicamentos exigiu que todos os pacientes parassem de tomar sulfonilureias e insulina se os níveis de HbA1c ao início do estudo estivessem abaixo de 7%. Além disso, os pacientes com níveis de HbA1c entre 7% e 10% foram orientados a suspender o uso de sulfonilureias e insulina nos dias de jejum e suspender a insulina de ação prolongada antes do jejum.

Os índices de abandono foram semelhantes nos dois grupos: completaram a intervenção de 12 meses 69% dos pacientes no grupo de restrição contínua do aporte energético e 73% no grupo do jejum intermitente.

A alteração média dos níveis de HbA1c aos 12 meses foi semelhante nos dois grupos: uma redução de 0,5% e 0,3% nos grupos de restrição calórica contínua e intermitente, respectivamente.

A média de modificação ponderal também foi semelhante, com perda de 5,0 kg no grupo de restrição calórica contínua e 6,8 kg no grupo de jejum intermitente. Além disso, não houve diferenças significativas entre os grupos em termos de contagem de passos, glicemia de jejum, níveis lipídicos ou alterações posológicas da medicação habitual.

Houve oito casos de hipoglicemia, distribuídos de modo semelhante em cada grupo. Os autores observam que os pacientes que compareceram a todas as consultas com o nutricionista tiveram os maiores benefícios.

Os pesquisadores reconhecem que esses resultados podem não ser generalizáveis, visto que os pacientes tinham a glicemia bem controlada e fizeram consultas mais frequentes com o nutricionista do que na prática clínica usual. As modificações posológicas dos medicamentos para o diabetes também dificultam a interpretação deste estudo.

No entanto, os autores concluem que "a restrição intermitente do aporte energético é aceitável para a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2", e a segurança pode ser assegurada por meio de um acompanhamento regular.

 

Referência

Carter S, Clifton PM, Keogh JB. Effect of Intermittent Compared With Continuous Energy Restricted Diet on Glycemic Control in Patients With Type 2 DiabetesA Randomized Noninferiority Trial. JAMA Network Open. 2018;1(3):e180756.

 

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Ômega-3 pode não reduzir risco de doenças cardiovasculares

24 de setembro de 2018

Tags: ômega-3 doença cardíaca coronária (dac) derrame arritmia cardíaca doenças cardiovasculares

Ômega-3 pode não reduzir risco de doenças cardiovasculares




Estudo sugere que o consumo de ácidos graxos ômega-3 pode não reduzir o risco de eventos cardiovasculares, mortes por doença cardíaca coronária (DAC), derrames ou arritmias cardíacas.

 

Metanálise publicada em julho de 2018 no Cochrane Database of Systematic Reviews não encontrou evidências de que o aumento no consumo de ácido alfa-linolênico (ALA) e dos ácidos graxos ômega-3 (AGL n-3) eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA) aumente a saúde cardiovascular ou proteja contra morte por todas as causas ou eventos cardiovasculares.

Pesquisadores britânicos conduziram uma revisão sistemática de 79 ensaios envolvendo 112.059 pessoas. Para ser incluído, cada estudo teve que durar pelo menos 12 meses e comparar a suplementação e aconselhamento para aumentar a ingestão de AGL n-3 ou ALA vs consumo usual ou menor. Destes estudos, 25 preencheram os critérios e apresentaram baixo risco de viés.

Os ensaios variaram entre 12 e 72 meses de duração e incluíram adultos com diferentes graus de risco cardiovascular, principalmente de países de alta renda. A maioria dos estudos avaliou a suplementação de AGL n-3 em cápsulas, mas, alguns utilizaram alimentos fonte ou enriquecidos com AGL n-3 ou ALA e aconselhamento dietético em comparação com placebo ou dieta habitual.

Através de análises meta-analíticas e de sensibilidade, os pesquisadores observaram pouco ou nenhum efeito do aumento no consumo de AGL n-3 na mortalidade por todas as causas quando comparado com placebo ou dieta habitual (8% vs 9%; risco relativo [RR], 0,98; intervalo de confiança de 95% [IC ], 0,90 - 1,03, evidências de alta qualidade).

Da mesma forma, pouco ou nenhum efeito foi encontrado para mortalidade cardiovascular (RR, 0,95; 95% CI, 0,87 - 1,03), eventos cardiovasculares (RR, 0,99; IC 95%, 0,94 - 1,04, evidência de alta qualidade), mortalidade por doença coronariana (CHD) (RR, 0,93; IC 95%, 0,79 - 1,09), acidente vascular cerebral (RR, 1,06; IC 95%, 0,96 - 1,16), ou arritmia (RR, 0,97; IC 95%, 0,90 - 1,05).

Embora na análise inicial os AGL n-3 parecessem reduzir os eventos coronarianos (RR 0,93; IC95% 0,88 a 0,97), a redução não foi mantida nas análises de sensibilidade.

Os pesquisadores também descobriram que é improvável que o aumento da ingestão de ALA afete a mortalidade por todas as causas (RR, 1,01; 95% CI, 0,84 - 1,20) ou cardiovascular (CV) (RR 0,96; IC 95% 0,74 - 1,25) e também pode não afetar eventos coronarianos (RR, 1,00; IC95%, 0,80 - 1,22; evidências de baixa qualidade).

Por outro lado, o aumento do ALA pode diminuir ligeiramente o risco de eventos CV (4,8% a 4,7%; RR, 0,95; IC95%, 0,83 - 1,07; evidências de baixa qualidade) e provavelmente reduz o risco de mortalidade por doença cardíaca coronária (1,1 % a 1,0%; RR, 0,95; IC95%, 0,72 - 1,26) e arritmia (3,3% a 2,6%; RR, 0,79; IC95%, 0,57 - 1,10).

Evidências de baixa / moderada qualidade sugerem que o ALA possa reduzir levemente os eventos cardiovasculares, mortalidade e arritmias, e evidências de alta qualidade sugerem que o AGL n-3 possa reduzir triglicerídeos e aumentar o colesterol da lipoproteína de alta densidade (HDL).

"Os clínicos precisam estar cientes de que, a menos que haja uma necessidade específica de reduzir os triglicerídeos, não há razão para incentivar o uso de suplementos de ômega-3", concluem os autores. “Por isso, precisamos nos concentrar nas intervenções de estilo de vida que realmente funcionam, como uma dieta de alta qualidade, moderação no consumo de álcool, não fumar e manter uma rotina de atividade física regular".

 

Referência

Abdelhamid AS, Brown TJ, Brainard JS, Biswas P, Thorpe GC, Moore HJ, Deane KH, et al. Omega-3 fatty acids for the primary and secondary prevention of cardiovascular disease. Cochrane Database Syst Rev. 2018; 7:CD003177. [Epub ahead of print].

 

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Ganepão News&Views - Recomendações Dietéticas para Tratamento da Psoríase

28 de agosto de 2018

Tags: recomendações dietéticas psoríase doenças

Ganepão News&Views - Recomendações Dietéticas para Tratamento da Psoríase




A psoríase é uma doença crônica inflamatória da pele, não transmissível, dolorosa, para a qual não há cura e com impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. O Relatório Global sobre Psoríase, OMS 2016, informa ser ela mais comum na faixa etária de 50 a 69 anos, embora possa  ocorrer em qualquer idade. A prevalência de psoríase nos países varia entre 0,09% e 11,4%, o que configura sério problema global¹.

A psoríase tem manifestações cutâneas, e outras comorbidades, que incluem artrite psoriásica, doença cardiometabólica, doença gastrointestinal e transtornos de humor. Existem vários tipos de terapias médicas para essa doença, que incluem agentes tópicos, fototerapia e medicamentos orais, consideradas relevantes, pelos pacientes, para o manejo global da doença. Entretanto, cuidados dietéticos raramente são discutidos durante as visitas clínicas.

Uma recente publicação² , no periódico JAMA Dermatology, da Junta Médica da Fundação Nacional de Psoríase afirma que as terapias médicas padrões podem ser complementadas com intervenções dietéticas para reduzir a gravidade da doença, e apresenta algumas recomendações dietéticas com o objetivo de orientar os profissionais de saúde no manejo desses pacientes.

De acordo com os autores, a perda de peso seguindo uma dieta de baixa calorias pode reduzir a gravidade da psoríase em pacientes com excesso de peso, mas há poucas evidências para apoiar outras intervenções dietéticas. Uma dieta sem glúten, por exemplo, pode ser útil na redução da psoríase em pacientes cujos exames de sangue são positivos para a sensibilidade ao glúten.

Trata-se de revisão sistemática de estudos que avaliaram o impacto da dieta na psoríase ou artrite psoriática, com 55 estudos observacionais e intervencionistas, que incluem 77.557 participantes, dos quais 4.534 com psoríase. O pequeno número de pacientes pediátricos incluídos faz com que os dados disponíveis sejam insuficientes para estabelecer recomendações para crianças.

As recomendações apresentadas no quadro abaixo foram classificadas em cinco categorias e sua força determinada pelo nível de evidência.

 

Doença

Categoria

Recomendação

Nível de evidência

Psoríase

1. Dieta sem glúten

Dieta sem glúten é fortemente recomendada para adultos com diagnóstico confirmado de doença celíaca

1A

Em pacientes com teste positivo para marcadores sorológicos de sensibilidade ao glúten, recomenda-se teste de 3 meses com dieta sem glúten

2B

A triagem universal para marcadores de sensibilidade ao glúten não é recomendada devido à alta taxa de falsos positivos. Pacientes candidatos à triagem incluem aqueles com sintomas gastrintestinais ativos ou que tenham um parente de primeiro grau com doença celíaca

 

2. Redução de peso

Para adultos com excesso de peso ou obesos (IMC ≥ 25), é fortemente recomendada a redução do peso com dieta hipocalórica

1A

3. Suplementação

3a. Óleo de peixe

A suplementação oral de óleo de peixe não é recomendada porque não foram encontradas evidências de eficácia nas doses e duração avaliadas nos estudos

 

As evidencias acerca de suplementação intravenosa de óleo de peixe são muito limitadas para fazer uma recomendação

 

3b. Vitamina D

Em adultos com níveis normais de vitamina D, a suplementação não é recomendada

 

3c. Selênio

A suplementação de selênio para tratamento de psoríase em adultos não é recomendada

 

3d. Vitamina B12

A suplementação de Vitamina B12 não é recomendada

 

3e. Micronutrientes

Nenhuma recomendação pode ser feita para suplementação de micronutrientes por causa de evidências insuficientes

 

4. Padrões dietéticos

Pacientes podem seguir um padrão dietético mediterrâneo: consumir azeite de oliva extra virgem como principal fonte de gordura da dieta, consumir mais frutas, legumes, verduras, peixes e frutos do mar, e frutos oleaginosos.

2C

A dieta para o paciente com psoríase pode considerar o aumento no consumo de ácidos graxos ômega-3, gorduras monoinsaturadas, fibras e carboidratos complexos e redução do consumo de calorias, gordura total, ácidos graxos ômega-6 e carboidratos simples.

2C

Artrite psoriásica

5. Intervenções dietéticas

Em adultos com sobrepeso ou obesos com artrite psoriática (IMC ≥ 25), recomenda-se redução de peso com dieta hipocalórica.

2B

 

Os autores afirmam que os pacientes apreciam o aconselhamento dietético como parte de um programa completo, e que exercícios e redução do estresse também devem ser recomendados como parte da mudança no estilo de vida, mas que, apesar de certas intervenções dietéticas serem uteis em alguns pacientes, são as terapias medicamentosas as que fazem a maior diferença e, portanto, não devem ser substituídas.

 

Referência

 

1. World Health Organization. Global report on psoriasis.2016. Disponível em: <http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/204417/9789241565189_eng.pdf;jsessionid=694438153B009F32D72C1F2860074984?sequence=1>. Acessado em: 25/07/2018.

2. Ford AR, Siegel M, Bagel J, Cordoro KM, Garg A, Gottlieb A, et al. Dietary Recommendations for Adults With Psoriasis or Psoriatic Arthritis From the Medical Board of the National Psoriasis Foundation: A Systematic Review. JAMA Dermatol. 2018; [Epub ahead of print].

 

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Ganepão News&Views - Exercício Melhora a Asma em Adultos Obesos

17 de julho de 2018

Tags: exercício físico treinamento físico asma adultos obesos

Ganepão News&Views - Exercício Melhora a Asma em Adultos Obesos




EXERCÍCIO MELHORA A ASMA EM ADULTOS OBESOS

 

O treinamento físico ajuda a melhorar a vida diária de adultos obesos com asma, concluiu estudo publicado recentemente na Medicine and Science in Sports and Exercise.

O programa de três meses teve como alvo a perda de peso e exercício através de treinamento aeróbico e de resistência.

Os autores distribuíram aleatoriamente 55 adultos obesos com asma para participar de grupo intervenção com programa de perda de peso com exercícios, incluindo treinamento aeróbico, levantamento de peso, nutrição e terapias psicológicas (n=28) ou grupo placebo para participar de programa de perda de peso, exercícios de respiração e alongamento (n=27).

A atividade física diária, sintomas de asma, qualidade do sono e sintomas de ansiedade e depressão foram quantificados antes e após o tratamento.

Depois de duas sessões por semana durante três meses, as pessoas no grupo de treinamento de perda de peso e exercício aumentaram sua contagem de passos em mais de 3.000 passos por dia em comparação a 730 passos por dia no grupo que não recebeu treinamento físico.

Além disso, o grupo que realizou exercícios apresentou aproximadamente 15 dias do mês sem sintomas de asma comparado a 9 dias por mês para o grupo controle.

O grupo de exercícios também teve melhorias nos sintomas de depressão (76,4% vs 16,6%), qualidade do sono (6,6% ± 5,1% vs 1,3% ± 4,7%)  e apneia obstrutiva do sono (56,5% vs 16,3%).

Os resultados sugerem que o treinamento físico em conjunto com programa de perda de peso melhora o desempenho da atividade física diária, a eficiência do sono e os sintomas de depressão e asma em adultos obesos com asma.

 

Referência

Freitas PDSilva AGFerreira PGDA Silva ASalge JMCarvalho-Pinto RMCukier ABrito CMMancini MCCarvalho CRF. Exercise Improves Physical Activity and Comorbidities in Obese Adults with Asthma. Med Sci Sports Exerc. 2018 Jul;50(7):1367-1376

 

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